|
Sobre mim
Amigos
Meu Award
Recadinhos
Fale comigo
Música
|
|
Foice Cortou os beijos podou abraços só deixou os laços do arado no cercado enferrujado. Escrito por Tereza da Praia às 17h08 [] [envie esta mensagem] Confissões de Penelope (II) Tereza da Praia.
Na quietude de meu isolamento, Teço minhas colchas de tricô, em quadros, retalhos uma rejeição ali, outra acolá um decepção encarnada, uma piedade azul... A uma promessa de amor, desfaço tudo que foi tecido... Depois, começo novamente... Em algum lugar deve haver um Ulisses desvencilhando-se de alguma Calipso, para vir ao meu encontro. Afinal, ainda morro de overdose de esperança.
Escrito por Tereza da Praia às 13h58 [] [envie esta mensagem]
Confissões de Penélope (I) Tereza da Praia Terminei de reler o livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Foi seu último livro. Escrito quando o câncer já havia dominado seu corpo. É uma historia triste, constituída de duas camadas, que se entrelaçam. Uma, o narrador. O primeiro narrador masculino na obra de Clarice. Sentia-se atormentado por escrever uma novela sobre uma jovem nordestina. Questionava-se o tempo inteiro sobre o seu próprio estilo de narrar e a sua capacidade de compreender Macabéa, moça de estrato sócio-cultural inferior. Ao mesmo tempo tentava desvelar o jogo que seu texto fazia entre a ficção e a realidade. Procurava desvendar o significado da literatura e da existência. A segunda camada _ Macabéa _ é o registro da trajetória medíocre de uma alagoana de 19 anos, no Rio de Janeiro, morando num quarto de pensão, dividido com quatro balconistas das Lojas Americanas. Raquítica, feia e solitária, Alienada, sonsa. Adorava ouvir a radio relógio, colecionava pequenos anúncios num álbum e sonhava ser artista de cinema. No transcorrer da historia, Macabea arruma um namorado, também nordestino, Olímpio de Jesus, inculto, grosseiro, que sonha ascender socialmente tornando-se deputado. Olimpio, troca Macabéa por Glória, estenografa, loira oxigenada e amiga da ex-namorada. Glória, amiga (mui amiga por sinal) de Macabéa, aconselha-a a ir a uma cartomante (Madame Carlota). A cartomante, penalizada com a vida que a moça levava, resolveu elevar sua auto-estima profetizando que Macabea encontraria um estrangeiro alourado, de “olhos azuis ou verdes, ou castanhos ou pretos”, muito rico, com quem se casaria. Macabea (nunca tinha tido coragem de ter esperança) sai feliz, quando, ao atravessar a rua, é atropelada por uma Mercedes amarela. Varias pessoas observam-na, agonizante. Alguém coloca uma vela acesa junto ao seu corpo. Assim, Macabea alcança a sua hora de estrela. Uma frase do livro ficou martelando na minha cabeça. Um diálogo entre Macabéa e Glória. Glória lhe pergunta: “Ser feia dói?” ("Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim".) Talvez eu tenha relido este livro, porque, de alguma forma, me identifico com seus personagens. As incertezas do narrador, quanto a sua escrita. A pobreza, o abandono, a invisibilidade de Macabea, me fizeram sua parceira. E eu fiz a pergunta a mim mesma: “Ser feia dói?” Ser feia _ vamos usar um eufemismo, para não chocar – Não ser bonita dói? Como dói não ser bonita! É fator de exclusão, de rejeição. Sente-se na carne os vermes negros do desamor destruir as entranhas. Na adolescência, eu sonhava com o príncipe encantado, montado em seu cavalo branco. Aquele homem ávido por descobrir minha beleza interior. não apareceu nem um sapo desencantado, desdentado. E até hoje minha beleza interior está indescoberta. Dói não ser bonita! E como dói! O momento que mais tenho ciencia da feiura, é quando olho fotografias. Sinto a dor roer-me os ossos. Nestes instantes, faço o que não se deve fazer. Comparo-me a outras!... A emoção é inexprimível em palavras. Ontem, eu olhava as fotos de um encontro entre amigos. Senti-me tão feia... tão feia... que atribuí à minha feiura, o fato de um amigo, (que eu queria que fosse mais que amigo, fosse aquele pelo amor a mim predestinado) tivesse sumido, sem mandar qualquer notícia. O sentimento de rejeição é como um soco no estomago. É como vento frio , o minuano, que entra pelas frestas da pele, esfria a alma. Aí dói porque imagino que se fosse bonita como, digamos, uma Nicole, uma Meg... uma dessas atrizes globais, sei lá, seria diferente. Consolo-me com Hilda Hilst, “que se a mim não deram esplendida beleza, deram-me a garganta esplandecida: a palavra de ouro. A canção imantada. O sumarento gozo de cantar. Iluminada. Ungida.” Mas a verdade, é que me sinto feito Macabéa. Invisível, subterrânea, sem floração... ou melhor capim... pisado... masserado... Meus olhos deixam cair gotas salgadas, que morrem na boca carnuda, sensual, lírica... Estéril e solitária. Hoje, mais que sempre, a saudade mata a gente... Embriago-me com a cachaça negra da desilusão, onde vivem os micróbios do desamor, As bactérias do desamar... Escrito por Tereza da Praia às 23h08 [] [envie esta mensagem] Cerezas en enero? Juan Vicente Piqueras Ni maravillas de Asia entre las manos Ni cerezas en enero Ni arcoiris en nuestra habitación Ni mares ardiendo quiero. Sino tu amor. Cada día. Claro. Sencillo. Cierto. ***** Cerejas em janeiro? Nem maravilhas da Ásia, entres as mãos Nem cerejas em janeiro Nem o arco-íris em nossa casa Nem mares ardendo quero. Senão teu amor . Cada dia. Claro. Simples. Verdadeiro. (Tradução: Tereza da Praia) Juan Vicente Piqueras, poeta espanhol, nascido em 17/12/1960, na Cidade de Valencia (em Los Duques de Requena). Estudou filosofia hispânica, na Universidade de Valencia. Vive em Roma. Trabalha como locutor de radio, ator, roterista de teatro, dublador, tradutor e professor e espanhol para estrangeiros. Obra: Castillos de Aquitania. Moderna: Stelle di Sassuolo,1987; La palabra cuando. San Sebastián de los Reyes (Madrid): Premio José Hierro de poesia (1991). La latitud de los caballos. Madrid: Hiperión, 1999. Premio Antonio machado en Baeza Mele di mare. Florencia: Le Lettere, 2003. Antologia de sua obra, en edição bilingue espano-italiana. Adverbios sin lugar. Accésit al XXV Premio Ciudad de Melilla 2003 (inédito). Escrito por Tereza da Praia às 11h57 [] [envie esta mensagem] Nós... ... E nós que nem sabemos quanto nos queremos... Está música do Celso Adolfo feria-me os ouvidos. Insistentemente, eu a cantarolava, desde ontem pela manha, quando a ouvi no rádio do carro. Perseguia-me o verso “e nos que nem sabemos quanto nos queremos”... Porque me dava vontade de chorar ao cantarolar aquele verso? Eu sei bem. Eu sei como é dificil perceber, depois que tudo acabou, o quanto se quis... Como é dificil o desejo de amar. Eu sei. Era isso que me fazia ficar perturbada com a música. Eu sabia como era doído saber que o outro nunca conheceu a extenção e nem a profundidade do nosso amor. E o tempo passou... E já não faz diferença. Só aquela a dor de ficar na janela, olhando a lua e perguntando: “onde você foi amar”? E saber-me só, e estar só, presa no nó de nós dois... ter certeza que no meu beijo existe o teu lábio, no meu cheiro, o teu odor; Na minha pele a tua escrita. E em tua rima, eu não estou. E assim eu vou seguir... E onde quer que eu vá, estarei te seguindo. Talvez o meu chegar se encontre com o teu. E por fim saibamos o quanto já nos queríamos, antes... Nós dois Celso Adolfo. E nós que nem sabemos quanto nos queremos Que nem sabemos tudo que queremos Como é difícil o desejo de amar Você que nunca soube quanto eu quis Que não me coube, não me viu raiz Nascendo, crescendo nos terrenos seus Eu na janela, olhando a lua Perguntando à lua: onde você foi amar? E nós que nem soubemos nos querer de vez Estamos sós, laçados em dois nós Um que é meu beijo e outro é o lábio seu Não sei sair cantando sem contar você Que eu sei cantar mas conto com você Que eu vou seguir mas vou seguir você Queria que assim sabendo se a gente se quer Queria me rimar no seu colo mulher Vencer a vida de onde ela vier Ganhar seu chegar no chegar meu Dar de mim o homem que é seu. Escrito por Tereza da Praia às 11h11 [] [envie esta mensagem] ![]() Porque é melhor sonhar tua rudeza E sorver reconquista a cada noite Pensando: amanhã sim, virá. E o tempo de amanhã será riqueza: A cada noite, eu Ariana, preparando Aroma e corpo. E o verso a cada noite Se fazendo de tua sábia ausência. *** Que Ariana pode estar sozinha Sem Dionísio, sem riqueza ou fama Porque há dentro dela um sol maior: Amor que se alimenta de uma chama Movediça e lunada, mais luzente e alta Quando tu, Dionísio, não estás. (Hilda Hilst) *** Há sempre alguém esperando alguém. Há sempre um lugar para lembrar. Uma tarde para esquecer... Um amor que não se viveu, Um desejo que se resistiu... Um não quando se querida dizer sim Um sim quando se queria dizer não. Há sempre alguem fugindo de alguém por medo de amar, ou por medo de mudar a vida ou por medo de ser feliz... viver por um triz, dançar na corda bamba Perder o chão... as crenças as seguranças as esperanças... Há sempre alguém esperando desesperando, se esgrenhando... silenciando... ansiando... ando ando.. ando... até quando?! Escrito por Tereza da Praia às 22h09 [] [envie esta mensagem] “Que hei de fazer se de repente a manhã voltar? (Manoel de Barros)
Escrito por Tereza da Praia às 21h58 [] [envie esta mensagem] "....... Escrito por Tereza da Praia às 21h45 [] [envie esta mensagem] "De que servem meu canto e eu Escrito por Tereza da Praia às 19h31 [] [envie esta mensagem] |
|
Calendário
Olha a hora
Já Passou
25/10/2009 a 31/10/2009 18/10/2009 a 24/10/2009 11/10/2009 a 17/10/2009 04/10/2009 a 10/10/2009 13/09/2009 a 19/09/2009 06/09/2009 a 12/09/2009 28/01/2007 a 03/02/2007 On Line
Contador
Meus Presentes
Layout by
Créditos
Etc...
|