Sobre mim
Nome:
Idade:
Cidade:
Gosto:
Odeio:
Filmes:
Músicas:

Amigos
UOL - O melhor conteúdo
BOL - E-mail grátis

Meu Award




Link-me



Recadinhos

Fale comigo


Música



I. Introitus
Requiem aeternam dona eis, Domine,
Et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur votum in Jerusalem:
Exaudi orationem meam,
ad te omnis caro veniet.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
Et lux perpetua luceat eis.

 
Repouso eterno dá-lhes, Senhor,
E luz perpétua os ilumine.
Tu és digno de hinos, ó Deus, em Sião,
e a ti rendemos homenagens em Jerusalém:
Ouve a minha oração,
diante de Ti toda carne comparecerá.
Repouso eterno dá-lhes, Senhor,
E luz perpétua os ilumine.

II Kyrie

Kyrie eleison.
Christe eleison.
Kyrie eleison.
 
Senhor, tem piedade.
Cristo, tem piedade.
Senhor, tem piedade.


III. Sequentia
1 - Dies irae
Dies irae, dies illa
solvet saeclum in favilla
teste David cum Sibylla.
Quantus tremor est futurus,
Quando judex est venturus,
Cuncta stricte discussurus.

Dia de ira, aquele dia
no qual os séculos se desfarão em cinzas
assim testificam Davi e Sibila.
Quanto temor haverá então,
Quando o Juiz vier,
Para julgar com rigor todas as coisas.

2 - Tuba mirum

Tuba mirum spargens sonum
per sepulcra regionum,
coget omnes ante thronum.

A trombeta poderosa espalha seu som
pela região dos sepulcros,
para juntar a todos diante do trono.
-----
Mors stupebit et natura
cum resurget creatura,
judicanti responsura.
A morte e a natureza se espantarão
com as criaturas que ressurgem,
para responderem ao juízo.
 
-----
Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus judicetur.

Um livro será trazido,
no qual tudo está contido,
pelo qual o mundo será julgado.
-----
Judex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit:
nil inultum remanebit.

Logo que o juiz se assente,
tudo o que está oculto, aparecerá:
nada ficará impune.
-----
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit seccurus?

O que eu, miserável, poderei dizer?
A que patrono recorrerei,
quando apenas o justo estará seguro?

3 - Rex tremendae
Rex tremendae majestatis,
qui salvandos salvas gratis,
salva me, fons pietatis.

Ó Rei, de tremenda majestade,
que ao salvar, salva gratuitamente,
salva a mim, ó fonte de piedade.

4 - Recordare
Recordare, Jesu pie,
quod sum causa tuae viae,
ne me perdas illa die.
Lembra-te, ó Jesus piedoso,
que fui a causa de tua peregrinação,
não me perca naquele dia.
-----
Quaerens me, sedisti lassus
redemisti crucem passus
tantus labor non sit cassus.
Procurando-me, ficaste exausto
me redimiste morrendo na cruz
que tanto trabalho não seja em vão.
-----
Juste judex ultionis,
donum fac remissionis
ante diem rationis

Juiz de justo castigo,
dai-me o dom da remissão
diante do dia da razão
-----
Ingemisco tamquam reus
culpa rubet vultus meus
supplicanti parce, Deus.


Choro e gemo como um réu
a culpa enrubesce meu semblante
a este suplicante poupai, ó Deus.
-----
Qui Mariam absolvisti,
et latronem exaudisti
mihi quoque spem dedisti.


Tu, que absolveste a Maria,
e ao ladrão ouviste
a mim também deste esperança.
-----
Preces meae non sunt dignae
sed tu bonus fac benigne,
ne perenni cremer igne.


Minhas preces não são dignas
sê bondoso e faça misericórdia,
que eu não queime no fogo eterno.
-----
Inter oves locum praesta
et ab haedis me sequestra
statuens in parte dextra.


Dai-me lugar entre as ovelhas
e afastai-me dos bodes
que eu me assente à Tua direita.

5 - Confutatis
Confutatis maledictis
flammis acribus addictis
voca me cum benedictis.


Condenados os malditos
e lançados às chamas devoradoras
chama-me junto aos benditos.
-----
Oro supplex et acclinis
cor contritum quasi cinis
gere curam mei finis.


Oro, suplicante e prostrado
o coração contrito, quase em cinzas
tomai conta do meu fim.

6 - Lacrimosa

Lacrimosa dies illa
qua resurget ex favillaj
udicandus homo reus.

Dia de lágrimas será aquele
no qual os ressurgidos das cinzas
serão julgados como réus.
-----
Huic ergo parce, Deus
pie Jesu Domine
Dona eis requiem, Amen.

A este poupa, ó Deus
piedoso Senhor Jesus
Dá-lhes repouso. Amém.

IV. Offertorium

1 - Domine Jesu Christe
Domine Jesu Christe, Rex gloriae,
libera animas omnium fidelium defunctorum
de poenis inferni et de profundo lacu:
Libera eas de ore leonis,
Ne absorbeat eas tatarus, ne cadant in obscurum:
Sed signifer sanctus Michael repraesentet eas in lucem sanctam:
Quam olim Abrahae promisiti et semini ejus.
Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória,
liberta as almas de todos os que morreram fiéis
das penas do inferno e do lago profundo:
Libertai-as da boca do leão
Que não sejam absorvidas no inferno, nem caiam na escuridão:
Mas que o santo arcanjo Miguel as introduza na luz santa:
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência.

2 - Hostias
Hostias et preces tibi, Domine, laudis offerimus:
Tu suscipe pro animabus illis,
quarum hodie memoriam facimus:
Fac eas, Domine, de morte transire ad vitam.
Quam olim Abrahae promisisti et semini ejus.

Sacrifícios e preces a Ti, Senhor, oferecemos com louvores:
Recebe-os em favor daquelas almas,
Das quais hoje nos lembramos:
Fazei-as, Senhor, da morte passarem para a vida.
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência.

V. Sanctus

Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus, Deus Sabaoth.
Pleni sunt coeli et terra gloria tua.
Hosanna in excelsis.

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos.
Cheios estão os céus e a terra da Tua glória.
Hosana nas alturas.

VI. Benedictus

Benedictus, qui venit in nomine Domini
Hosanna in excelsis.

Bendito o que vem em nome do Senhor
Hosana nas alturas.

VII. Agnus Dei

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: donna eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: donna eis requiem sempiternam.

Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso.
Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso eterno.

VIII. Communio

Lux aeterna luceat eis, Domine:
Cum Sanctis tuis in aeternum: quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine:
Et lux perpetua luceat eis.
Cum Sanctis tuis in aeternum: quia pius es.
Que a luz eterna os ilumine, Senhor:
Com os teus santos pela eternidade: pois és piedoso.
Repouso eterno dá-lhes, Senhor:
E que a luz perpétua os ilumine.
Com os teus santos pela eternidade: pois és piedoso.

 



Escrito por Tereza da Praia às 12h30
[] [envie esta mensagem]




REQUÉM.

Curtindo saudades, lembrando os amores mortos, celebrando

Os vividos, os não vividos. Ouvindo, para celebrar, “O Réquiem”

De Wolfgang Amadeus Mozart.

O “Réquiem” é uma missa fúnebre, em Ré menor, do compositor

Austríaco.  Foi sua última composição, uma das melhores e mais

Famosas de sua obra.  Mozart não concluiu o Réquiem, quem concluiu.

A composição foi seu amigo e aluno Franz Xaver Süßmayr.

 

Há por trás desta composição uma historia de amor e de perda,

ou talvez de vaidade. Ou, quem sabe, as duas.

Conta-se Que Mozart foi procurado por um homem, no anonimato,

que encomendou a obra, pagando parte do preço.

Depois se soube que o sombrio personagem

era o conde Franz Walsseg, cuja mulher havia morrido.

Ele desejava a missa para o ritual fúnebre de sepultamento.

Queria se manter no anonimato, porque pretendia

dizer que o réquiem era de sua autoria, disseram as más línguas.

Veja-se que já naquele tempo, autores, plagiadores e direitos autorais viviam à turras.

Acontece que, neste ínterim, Mozart foi chamado a Praga para escrever a ópera

“A Clemência de Tito”, para festejar a coroação de Leopoldo II.

Entretanto, Mozart , que já não estava muito bem, obcecado com a idéia de morte,

Desde o falecimento dopai, debilitado pela enfermidade, com uma aguçada

Sensibilidade voltada ao sobrenatural, decorrente do seu vínculo com a franco-maçonaria,

Começo a pensar que a encomenda do “Réquiem” era coisa do destino,

que aquela composição era para os ritos de sua própria morte.

Parte de seu pensamento se concretizou.

Mozart morreu antes que o Réquiem estivesse terminado.

Conseguiu terminar  apenas três seções com o coro e composição completa:

Intróito, Kyrie e Dies Irae. Do resto da seqüência deixou os trechos instrumentais,

o coro, vozes solistas e o cifrado do contrabaixo e órgão incompletos,

deixando anotações para seu discípulo Franz Xaver Süssmayer.

Também havia indicações para o Domine Jesu e Agnus Dei.

Não havia deixado nada escrito para o Sanctus nem para o Communio.

Seu discípulo Süssmayer completou as partes em falta da composição,

agregou música onde faltava e compôs completamente o Sanctus.

A obra teve sua estréia em Viena, 2 de Janeiro de 1793,

em um concerto em benefício da viúva de Mozart, Konstanze Weber.

Foi interpretado novamente em 14 de Dezembro de 1793,

durante uma missa para a esposa da Walsegg.

 

 

 



Escrito por Tereza da Praia às 11h18
[] [envie esta mensagem]




Hoje é o dia especial para se sentir saudades.

Lembrarmos daqueles que já foram.

Existe um cântico do hinário adventista

Que traduz esta saudade, compartilho

Como vocês.

 

 

" UOL Busca

 

Lindo País.
 
Há um país na terra de além rio;
Cheio de flores, de prazer e luz; 
 É destinado às almas resgatadas; 
  Lá não terão mais lutas nem mais cruz. 
 Pois é ali que a morte não mais entra, 
 Nem mais pecado o brilho tirará. 
 Jesus, o Rei dessas mansões tão lindas, 
  Os salvos todos com prazer abraçará


Escrito por Tereza da Praia às 03h21
[] [envie esta mensagem]




Foice

Cortou os beijos

podou abraços

só deixou os laços

do arado

no cercado enferrujado.



Escrito por Tereza da Praia às 17h08
[] [envie esta mensagem]




Confissões de Penelope (II)

Tereza da Praia.

 

Na quietude de meu isolamento,

Teço minhas colchas de tricô,

em quadros, retalhos

uma rejeição ali, outra acolá

um decepção encarnada,

uma piedade azul...

A uma promessa de amor,

desfaço tudo que foi tecido...

Depois, começo novamente...

Em algum lugar deve haver

um Ulisses  desvencilhando-se

de alguma  Calipso,

para vir ao meu encontro.

Afinal, ainda morro de overdose

de esperança.

 



Escrito por Tereza da Praia às 13h58
[] [envie esta mensagem]




 

 

 

Confissões de Penélope (I)

Tereza da Praia

 

Terminei de reler o livro “A Hora da Estrela”,

de Clarice Lispector. Foi seu último livro.

Escrito quando o câncer já  havia dominado seu corpo.

É uma historia triste, constituída de duas camadas,

que se entrelaçam.

Uma, o narrador.

O primeiro narrador masculino na obra de Clarice.

Sentia-se atormentado por escrever uma novela

sobre uma jovem nordestina.

Questionava-se o tempo inteiro sobre o seu próprio estilo

de narrar e a sua capacidade de compreender Macabéa,

moça de estrato sócio-cultural inferior.

Ao mesmo tempo tentava desvelar

o jogo que seu texto fazia entre a ficção e a realidade. 

Procurava desvendar o significado da literatura e da existência.

A segunda camada _ Macabéa _

é o registro da trajetória medíocre de uma alagoana de 19 anos,

 no Rio de Janeiro, morando num quarto de pensão,

dividido com quatro balconistas das Lojas Americanas.

 Raquítica, feia e solitária,

Alienada, sonsa. Adorava ouvir a radio relógio,

colecionava pequenos anúncios num álbum

e sonhava ser artista de cinema.

No transcorrer da historia, Macabea arruma um namorado,

também nordestino, Olímpio de Jesus, inculto,

grosseiro, que sonha ascender socialmente tornando-se deputado.

Olimpio, troca Macabéa por Glória, estenografa,

loira oxigenada e amiga da ex-namorada.

Glória, amiga (mui amiga por sinal) de Macabéa,

aconselha-a a ir a uma cartomante (Madame Carlota).

A cartomante, penalizada com a vida que a moça levava,

resolveu elevar sua auto-estima profetizando que

 Macabea encontraria um estrangeiro alourado,

de “olhos azuis ou verdes, ou castanhos ou pretos”,

 muito rico, com quem se casaria.

Macabea (nunca tinha tido coragem de ter esperança)

sai feliz, quando, ao atravessar a rua, é atropelada

por uma Mercedes amarela.

Varias  pessoas observam-na, agonizante.

Alguém coloca uma vela acesa junto ao seu corpo.

Assim, Macabea alcança a sua hora de estrela.

Uma frase do livro ficou martelando na minha cabeça.

Um diálogo entre Macabéa e Glória.

Glória lhe pergunta: “Ser feia dói?”

("Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração.

Minto: ela era capim".)

Talvez eu tenha relido este livro,

porque, de alguma forma,

me identifico com seus personagens.

As incertezas do narrador, quanto a sua escrita.

 A pobreza, o abandono, a invisibilidade de Macabea,

me fizeram sua parceira.  E eu fiz a pergunta a mim mesma:

“Ser feia dói?”   

Ser feia _ vamos usar um eufemismo, para não chocar – 

Não ser bonita dói?

Como dói não ser bonita!

É fator de exclusão, de rejeição.

Sente-se na carne os vermes negros do desamor

destruir as entranhas.

Na adolescência, eu sonhava  com o príncipe encantado,

 montado em seu cavalo branco.

Aquele homem ávido por descobrir minha beleza interior.

 não apareceu nem um sapo desencantado, desdentado.

E até hoje minha beleza interior está indescoberta.

Dói não ser bonita! E como dói!

O momento que mais tenho ciencia da feiura,

é quando olho fotografias.

Sinto a dor roer-me os ossos.

Nestes instantes, faço o que não se deve fazer.

Comparo-me a outras!... A emoção

é inexprimível em palavras.

Ontem, eu olhava as fotos de um encontro

entre amigos. Senti-me tão feia... tão feia...

que atribuí à minha feiura, o fato de um amigo,

(que eu queria que fosse mais que amigo, fosse

aquele pelo amor a mim predestinado)

tivesse sumido, sem mandar qualquer notícia.

O sentimento de rejeição

é como um soco no estomago.

É como vento frio , o minuano,

que entra pelas frestas da pele, esfria a alma.

Aí dói porque imagino que se fosse bonita como,

digamos, uma Nicole, uma Meg... uma dessas atrizes

globais,  sei lá, seria diferente. 

 Consolo-me com Hilda Hilst,

 “que se a mim não deram esplendida beleza,

deram-me a garganta esplandecida:

a palavra de ouro. A canção imantada.

O sumarento gozo de cantar. Iluminada. Ungida.”

Mas a verdade, é que me sinto feito Macabéa.

Invisível, subterrânea, sem floração... ou melhor

capim... pisado... masserado...

Meus olhos deixam  cair gotas salgadas,

que morrem na boca carnuda, sensual, lírica... Estéril e solitária.

Hoje, mais que sempre, a saudade mata a gente...

Embriago-me com a cachaça negra

da desilusão,  onde vivem os micróbios do desamor,

As bactérias do desamar...



Escrito por Tereza da Praia às 23h08
[] [envie esta mensagem]




Cerezas en enero?
Juan Vicente Piqueras
 
Ni maravillas de Asia entre las manos
Ni cerezas en enero
Ni arcoiris en nuestra habitación
Ni mares ardiendo quiero.
Sino tu amor. Cada día.
Claro. Sencillo. Cierto.
***** 
 
Cerejas em janeiro?

Nem maravilhas da Ásia, entres as mãos
Nem cerejas em janeiro
Nem o arco-íris em nossa casa
Nem mares ardendo quero.
Senão teu amor . Cada dia.
Claro. Simples. Verdadeiro.
(Tradução: Tereza da Praia)

Juan Vicente Piqueras, poeta espanhol, nascido em 17/12/1960,
na Cidade de Valencia (em Los Duques de Requena). Estudou filosofia
hispânica, na Universidade de Valencia. Vive em Roma. Trabalha como
locutor de radio, ator, roterista de teatro, dublador, tradutor e professor
e espanhol para estrangeiros.
Obra: Castillos de Aquitania. Moderna: Stelle di Sassuolo,1987;
La palabra cuando. San Sebastián de los Reyes
(Madrid): Premio José Hierro de poesia (1991).
La latitud de los caballos. Madrid: Hiperión, 1999.
Premio Antonio machado en Baeza
Mele di mare. Florencia: Le Lettere, 2003.
 Antologia de sua obra, en edição bilingue espano-italiana.
Adverbios sin lugar. Accésit al XXV Premio Ciudad de Melilla 2003 (inédito).


Escrito por Tereza da Praia às 11h57
[] [envie esta mensagem]




Nós...
 ... E nós que nem sabemos quanto nos queremos...
Está música do Celso Adolfo feria-me os ouvidos.
 Insistentemente, eu a cantarolava,
 desde ontem pela manha,
quando a ouvi no rádio do carro.
 Perseguia-me o verso
“e nos que nem sabemos quanto nos queremos”...
Porque me dava vontade de chorar ao cantarolar aquele verso?
Eu sei bem.
Eu sei como é dificil perceber,
 depois que tudo acabou, o quanto se quis...
Como é dificil o desejo de amar. Eu sei.
Era isso que me fazia ficar perturbada com a música. 
Eu sabia como era doído saber que o outro
 nunca conheceu a extenção e nem a profundidade do nosso amor.
 E o tempo passou...
E já não faz diferença.
Só aquela a dor  de ficar na janela,
olhando a lua e perguntando:
“onde você foi amar”?  
E saber-me só, e estar só, presa no nó de nós dois...
ter certeza que no meu beijo existe o teu lábio,
no meu cheiro, o teu odor;
Na minha pele a tua escrita. 
E em tua rima, eu não estou.
E assim eu vou seguir...
E onde quer que eu vá, estarei te seguindo.
Talvez o meu chegar se encontre com o teu.
 E por fim saibamos o quanto já nos queríamos,
antes...
Nós dois
Celso Adolfo.
 
E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos
Como é difícil o desejo de amar
Você que nunca soube quanto eu quis
Que não me coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seus
Eu na janela, olhando a lua
Perguntando à lua: onde você foi amar?
E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós, laçados em dois nós
Um que é meu beijo e outro é o lábio seu
Não sei sair cantando sem contar você
Que eu sei cantar mas conto com você
Que eu vou seguir mas vou seguir você
Queria que assim sabendo se a gente se quer
Queria me rimar no seu colo mulher
Vencer a vida de onde ela vier
Ganhar seu chegar no chegar meu
Dar de mim o homem que é seu.
 


Escrito por Tereza da Praia às 11h11
[] [envie esta mensagem]




Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.
***
Que Ariana pode estar sozinha
Sem Dionísio, sem riqueza ou fama
Porque há dentro dela um sol maior:
Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e alta
Quando tu, Dionísio, não estás.
(Hilda Hilst)
***
Há sempre alguém esperando alguém.
Há sempre um lugar para lembrar.
Uma tarde para esquecer...
 Um amor que não se viveu,
Um desejo que se resistiu...
Um não quando se querida dizer sim
Um sim quando se queria dizer não.
Há sempre alguem fugindo de alguém
por medo de amar,
ou por medo de mudar a vida
ou por medo de ser feliz...
 viver por um triz,
dançar na corda bamba
Perder o chão...
as crenças
as seguranças
as esperanças...
Há sempre alguém esperando
desesperando,
se esgrenhando...
silenciando...
ansiando...
ando
ando..
ando...
até quando?!


Escrito por Tereza da Praia às 22h09
[] [envie esta mensagem]




“Que hei de fazer se de repente a manhã voltar?
Que hei de fazer?
— Dormir, talvez chorar”.

(Manoel de Barros)


Não tem altura o silêncio
da pedra que é teu coração.
Não tem altura...
É ensurdecedor
É aterrador...
Abafa todo ruido
Abafa até aquela canção
que cantavamos
Abafa o tropel dos cavalos
do meu desejo louco...
Abafa o meu grito rouco
engasgado na garganta...
O silêncio não tem altura
da pedra...
A secura do deserto...
Teu silencio só é mais baixo
que a minha solidão.
(Tereza da Praia)

 



Escrito por Tereza da Praia às 21h58
[] [envie esta mensagem]




".......
Depois... depois a verdade,
A fria realidade,
A solidão, a tristeza;
Daquele sonho desperto,
Olhei... silêncio de morte
Respirava a natureza -
Era a terra, era o deserto,
Fora-se o doce transporte,
Restava a fria certeza...."
(Machado de Assis)



Escrito por Tereza da Praia às 21h45
[] [envie esta mensagem]




"De que servem meu canto e eu
Se em meu peito há um amor que não morreu
Ah! se eu soubesse ao menos chorar
Cantador, só sei cantar
Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor
Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor"
(Dorival Caymmi e Nelson Mota)



Escrito por Tereza da Praia às 19h31
[] [envie esta mensagem]




Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando ao longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta
A voz de um certo alguém
Que canta como quer pra ninguém
A voz, de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda pureza
Da natureza
Onde não ha pecado nem perdão
(Caetano Veloso)
"Agora que não estás,
deixa que rompa o meu peito em soluços
Te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
É mais por que te amar"
(V. de Moraes)
  ***  ***
Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.
Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.
(Astor Piazzola - versão Rogério Cardoso)
 
*****
Era por fim a vida real, com o meu coração a salvo,
e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz
de qualquer dia depois dos meus cem anos."
(Gabriel Garcia Marques, in Memória de Minhas Putas Tristes)
 
****
De repente, o amor
se transformou Undisclosed-Recipient.
Tudo que eu queria era
uma comunicação pessoal,
interpessoal... intimizada
Acústica feito voz e violão.
Globalizou... desintimizou..
Passsou... coração
Saudade ficou.
(Tereza da Praia)


Escrito por Tereza da Praia às 09h18
[] [envie esta mensagem]




Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos,
pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica.
Não há nada menos apropriado para
 tocar numa obra de arte do que palavras de crítica,
que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes.
As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto
se nos pretenderia fazer crer;
a maior parte dos acontecimentos é inexprimível
e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.
Menos suscetíveis de expressão
do que qualquer outra coisa são as obras de arte,
— seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém.
Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo.
Investigue o motivo que o manda escrever;
examine se estende suas raízes pelos
recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo:
morreria, se lhe fosse vedado escrever?
Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo
na hora mais tranqüila de sua noite:
"Sou mesmo forçado a escrever?”
Escave dentro de si uma resposta profunda.
Se for afirmativa, se puder contestar àquela
pergunta severa por um forte e simples "sou",
então construa a sua vida de acordo com esta necessidade.
Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se
o sinal e o testemunho de tal pressão.
Aproxime-se então da natureza.
Depois procure, como se fosse o primeiro homem,
dizer o que vê, vive, ama e perde.
Não escreva poesias de amor.
Evite de início as formas usais e demasiado comuns:
são essas as mais difíceis, pois precisa-se de
uma força grande e amadurecida para se produzir
algo de pessoal num domínio em que
sobram tradições boas, algumas brilhantes.
(...)
relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade.
Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente,
 as imagens dos seus sonhos
e os objetos de sua lembrança.
Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse.
Acuse a si mesmo, diga consigo que não é
bastante poeta para extrair as suas riquezas.
Para o criador, com efeito, não há pobreza
nem lugar mesquinho e indiferente.
Mesmo que se encontrasse numa prisão,
cujas paredes impedissem todos os ruídos
do mundo de chegar aos seus ouvidos,
não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida
e régia riqueza, esse tesouro de recordações?
 
(carta a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke)


Escrito por Tereza da Praia às 02h01
[] [envie esta mensagem]




Hoje, 20/10, é dia do poeta e aniversário
de Arthur Rimbaud, Poeta francês .
Considerado pós-romântico e precursor do surrealismo,
é uma das maiores influências da poesia moderna.
Jean Nicolas Arthur Rimbaud nasceu em Charleville, em 20/10/1854
e morreu em Marselha, em 10/11/18991. Teve um vida muito agitada.
Comercializou peles e café na Etiópia, alistou-se no Exército colonial holandês,
para desertar logo depois, traficou armas em Ogaden, foi para o Chipre e para Alexandria.
Em 1891 tem a perna amputada, em decorrência de um câncer no joelho.
Morreu em Marselha, depois de demorada agonia.
Aos 18 anos vive uma turbulenta história de amor com o poeta Verlaine,
que deixa a família para viver com Rimbaud em Londres.
A tempestuosa relação amorosa entre os dois terminou
quando Verlaine atirou em Rimbaud, ferindo-o no pulso.

No céu da poesia, o nome de Arthur Rimbaud
brilha para sempre como uma estrela de primeira grandeza.

PRIMEIRA TARDE

                             Tradução:  Ivo Barroso

Era bem leve a roupa dela
E um grande ramo muito esperto
Lançava as folhas na janela
Maldosamente, perto, perto.

Quase desnuda, na cadeira,
Cruzavas as mãos, e os pequeninos
Pés esfregava na madeira
Do chão, libertos finos, finos.

— Eu via pálido, indeciso,
Um raiozinho em seu gazeio
Borboletear em seu sorriso
— Mosca na rosa — e no seu seio.

— Beijei-lhe então os tornozelos.
Deu ela um riso inatural
Que se esfolhou em ritornelos,
Um belo riso de cristal.

Depressa, os pés na camisola
Logo escondeu: "Queres parar!"
Primeira audácia que se implora
E o riso finge castigar!

Sinto-lhe os olhos palpitantes
Sob os meus lábios. Sem demora,
Num de seus gestos petulantes,
Volta a cabeça: "Ora, esta agora!..."

"Escuta aqui que vou dizer-te..."
Mas eu lhe aplico junto ao seio
Um beijo enorme, que a diverte
Fazendo-a rir agora em cheio...

— Era bem leve a roupa dela
E um grande ramo muito esperto
Lançava as folhas na janela
Maldosamente, perto, perto.

PREMIÈRE SOIRÉE

Elle était fort déshabillée
Et de grands arbres indiscrets
Aux vitres jetaient leur feuillée
Malinement, tout près, tout près.

Assise sur ma grande chaise,
Mi-nue, elle joignait les mains.
Sur le plancher frissonnaient d'aise
Ses petits pieds si fins, si fins.

— Je regardai, couleur de cire,
Un petit rayon buissonnier
Papillonner dans son sourire
Et sur son sein, — mouche ou rosier.

— Je baisai ses fines chevilles.
Elle eut un doux rire brutal
Qui s'égrenait en claires trilles,
Un joli rire de cristal.

Les petits pieds sous la chemise
Se sauvèrent : "Veux-tu en finir!"
— La première audace permise,
Le rire feignait de punir!

— Pauvrets palpitants sous ma lèvre,
Je baisai doucement ses yeux:
— Elle jeta sa tête mièvre
En arrière: "Oh! c'est encor mieux!...

Monsieur, j'ai deux mots à te dire..."
— Je lui jetai le reste au sein
Dans un baiser, qui la fit rire
D'un bon rire qui voulait bien...

— Elle était fort déshabillée
Et de grands arbres indiscrets
Aux vitres jetaient leur feuillée
Malinement, tout près, tout près.


A ETERNIDADE

                             Tradução:  Augusto de Campos

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


L'ETERNITÉ

Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise: enfin.

Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.
              
("Primeira Tarde"
     In O Torso e o Gato
    Editora Record, Rio de Janeiro, 1991. "A Eternidade"
      In Rimbaud Livre
    Editora Perspectiva, 2a. ed, São Paulo, 1993) 


Escrito por Tereza da Praia às 01h29
[] [envie esta mensagem]


Calendário


Olha a hora


Já Passou
01/11/2009 a 07/11/2009
25/10/2009 a 31/10/2009
18/10/2009 a 24/10/2009
11/10/2009 a 17/10/2009
04/10/2009 a 10/10/2009
13/09/2009 a 19/09/2009
06/09/2009 a 12/09/2009
28/01/2007 a 03/02/2007

On Line


Contador


Meus Presentes



Ame e seja feliz!!!

Eu Amo a Vida!!!





Layout by



Créditos


Etc...