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I. Introitus Requiem aeternam dona eis, Domine, Et lux perpetua luceat eis. Te decet hymnus, Deus, in Sion, et tibi reddetur votum in Jerusalem: Exaudi orationem meam, ad te omnis caro veniet. Requiem aeternam dona eis, Domine, Et lux perpetua luceat eis. Repouso eterno dá-lhes, Senhor, E luz perpétua os ilumine. Tu és digno de hinos, ó Deus, em Sião, e a ti rendemos homenagens em Jerusalém: Ouve a minha oração, diante de Ti toda carne comparecerá. Repouso eterno dá-lhes, Senhor, E luz perpétua os ilumine. II Kyrie Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison. Senhor, tem piedade. Cristo, tem piedade. Senhor, tem piedade. III. Sequentia 1 - Dies irae Dies irae, dies illa solvet saeclum in favilla teste David cum Sibylla. Quantus tremor est futurus, Quando judex est venturus, Cuncta stricte discussurus. Dia de ira, aquele dia no qual os séculos se desfarão em cinzas assim testificam Davi e Sibila. Quanto temor haverá então, Quando o Juiz vier, Para julgar com rigor todas as coisas. 2 - Tuba mirum Tuba mirum spargens sonum per sepulcra regionum, coget omnes ante thronum. A trombeta poderosa espalha seu som pela região dos sepulcros, para juntar a todos diante do trono. ----- Mors stupebit et natura cum resurget creatura, judicanti responsura. A morte e a natureza se espantarão com as criaturas que ressurgem, para responderem ao juízo. ----- Liber scriptus proferetur, in quo totum continetur, unde mundus judicetur. Um livro será trazido, no qual tudo está contido, pelo qual o mundo será julgado. ----- Judex ergo cum sedebit, quidquid latet apparebit: nil inultum remanebit. Logo que o juiz se assente, tudo o que está oculto, aparecerá: nada ficará impune. ----- Quid sum miser tunc dicturus? Quem patronum rogaturus, cum vix justus sit seccurus? O que eu, miserável, poderei dizer? A que patrono recorrerei, quando apenas o justo estará seguro? 3 - Rex tremendae Rex tremendae majestatis, qui salvandos salvas gratis, salva me, fons pietatis. Ó Rei, de tremenda majestade, que ao salvar, salva gratuitamente, salva a mim, ó fonte de piedade. 4 - Recordare Recordare, Jesu pie, quod sum causa tuae viae, ne me perdas illa die. Lembra-te, ó Jesus piedoso, que fui a causa de tua peregrinação, não me perca naquele dia. ----- Quaerens me, sedisti lassus redemisti crucem passus tantus labor non sit cassus. Procurando-me, ficaste exausto me redimiste morrendo na cruz que tanto trabalho não seja em vão. ----- Juste judex ultionis, donum fac remissionis ante diem rationis Juiz de justo castigo, dai-me o dom da remissão diante do dia da razão ----- Ingemisco tamquam reus culpa rubet vultus meus supplicanti parce, Deus. Choro e gemo como um réu a culpa enrubesce meu semblante a este suplicante poupai, ó Deus. ----- Qui Mariam absolvisti, et latronem exaudisti mihi quoque spem dedisti. Tu, que absolveste a Maria, e ao ladrão ouviste a mim também deste esperança. ----- Preces meae non sunt dignae sed tu bonus fac benigne, ne perenni cremer igne. Minhas preces não são dignas sê bondoso e faça misericórdia, que eu não queime no fogo eterno. ----- Inter oves locum praesta et ab haedis me sequestra statuens in parte dextra. Dai-me lugar entre as ovelhas e afastai-me dos bodes que eu me assente à Tua direita. 5 - Confutatis Confutatis maledictis flammis acribus addictis voca me cum benedictis. Condenados os malditos e lançados às chamas devoradoras chama-me junto aos benditos. ----- Oro supplex et acclinis cor contritum quasi cinis gere curam mei finis. Oro, suplicante e prostrado o coração contrito, quase em cinzas tomai conta do meu fim. 6 - Lacrimosa Lacrimosa dies illa qua resurget ex favillaj udicandus homo reus. Dia de lágrimas será aquele no qual os ressurgidos das cinzas serão julgados como réus. ----- Huic ergo parce, Deus pie Jesu Domine Dona eis requiem, Amen. A este poupa, ó Deus piedoso Senhor Jesus Dá-lhes repouso. Amém. IV. Offertorium 1 - Domine Jesu Christe Domine Jesu Christe, Rex gloriae, libera animas omnium fidelium defunctorum de poenis inferni et de profundo lacu: Libera eas de ore leonis, Ne absorbeat eas tatarus, ne cadant in obscurum: Sed signifer sanctus Michael repraesentet eas in lucem sanctam: Quam olim Abrahae promisiti et semini ejus. Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória, liberta as almas de todos os que morreram fiéis das penas do inferno e do lago profundo: Libertai-as da boca do leão Que não sejam absorvidas no inferno, nem caiam na escuridão: Mas que o santo arcanjo Miguel as introduza na luz santa: Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência. 2 - Hostias Hostias et preces tibi, Domine, laudis offerimus: Tu suscipe pro animabus illis, quarum hodie memoriam facimus: Fac eas, Domine, de morte transire ad vitam. Quam olim Abrahae promisisti et semini ejus. Sacrifícios e preces a Ti, Senhor, oferecemos com louvores: Recebe-os em favor daquelas almas, Das quais hoje nos lembramos: Fazei-as, Senhor, da morte passarem para a vida. Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência. V. Sanctus Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus, Deus Sabaoth. Pleni sunt coeli et terra gloria tua. Hosanna in excelsis. Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos. Cheios estão os céus e a terra da Tua glória. Hosana nas alturas. VI. Benedictus Benedictus, qui venit in nomine Domini Hosanna in excelsis. Bendito o que vem em nome do Senhor Hosana nas alturas. VII. Agnus Dei Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: donna eis requiem. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: donna eis requiem sempiternam. Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso. Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso eterno. VIII. Communio Lux aeterna luceat eis, Domine: Cum Sanctis tuis in aeternum: quia pius es. Requiem aeternam dona eis, Domine: Et lux perpetua luceat eis. Cum Sanctis tuis in aeternum: quia pius es. Que a luz eterna os ilumine, Senhor: Com os teus santos pela eternidade: pois és piedoso. Repouso eterno dá-lhes, Senhor: E que a luz perpétua os ilumine. Com os teus santos pela eternidade: pois és piedoso.
Escrito por Tereza da Praia às 12h30 [] [envie esta mensagem]
REQUÉM. Curtindo saudades, lembrando os amores mortos, celebrando Os vividos, os não vividos. Ouvindo, para celebrar, “O Réquiem” De Wolfgang Amadeus Mozart. O “Réquiem” é uma missa fúnebre, em Ré menor, do compositor Austríaco. Foi sua última composição, uma das melhores e mais Famosas de sua obra. Mozart não concluiu o Réquiem, quem concluiu. A composição foi seu amigo e aluno Franz Xaver Süßmayr.
Há por trás desta composição uma historia de amor e de perda, ou talvez de vaidade. Ou, quem sabe, as duas. Conta-se Que Mozart foi procurado por um homem, no anonimato, que encomendou a obra, pagando parte do preço. Depois se soube que o sombrio personagem era o conde Franz Walsseg, cuja mulher havia morrido. Ele desejava a missa para o ritual fúnebre de sepultamento. Queria se manter no anonimato, porque pretendia dizer que o réquiem era de sua autoria, disseram as más línguas. Veja-se que já naquele tempo, autores, plagiadores e direitos autorais viviam à turras. Acontece que, neste ínterim, Mozart foi chamado a Praga para escrever a ópera “A Clemência de Tito”, para festejar a coroação de Leopoldo II. Entretanto, Mozart , que já não estava muito bem, obcecado com a idéia de morte, Desde o falecimento dopai, debilitado pela enfermidade, com uma aguçada Sensibilidade voltada ao sobrenatural, decorrente do seu vínculo com a franco-maçonaria, Começo a pensar que a encomenda do “Réquiem” era coisa do destino, que aquela composição era para os ritos de sua própria morte. Parte de seu pensamento se concretizou. Mozart morreu antes que o Réquiem estivesse terminado. Conseguiu terminar apenas três seções com o coro e composição completa: Intróito, Kyrie e Dies Irae. Do resto da seqüência deixou os trechos instrumentais, o coro, vozes solistas e o cifrado do contrabaixo e órgão incompletos, deixando anotações para seu discípulo Franz Xaver Süssmayer. Também havia indicações para o Domine Jesu e Agnus Dei. Não havia deixado nada escrito para o Sanctus nem para o Communio. Seu discípulo Süssmayer completou as partes em falta da composição, agregou música onde faltava e compôs completamente o Sanctus. A obra teve sua estréia em Viena, 2 de Janeiro de 1793, em um concerto em benefício da viúva de Mozart, Konstanze Weber. Foi interpretado novamente em 14 de Dezembro de 1793, durante uma missa para a esposa da Walsegg.
Escrito por Tereza da Praia às 11h18 [] [envie esta mensagem] Hoje é o dia especial para se sentir saudades. Lembrarmos daqueles que já foram. Existe um cântico do hinário adventista Que traduz esta saudade, compartilho Como vocês.
Lindo País. Há um país na terra de além rio; Cheio de flores, de prazer e luz; É destinado às almas resgatadas; Lá não terão mais lutas nem mais cruz. Pois é ali que a morte não mais entra, Nem mais pecado o brilho tirará. Jesus, o Rei dessas mansões tão lindas, Os salvos todos com prazer abraçará Escrito por Tereza da Praia às 03h21 [] [envie esta mensagem] Foice Cortou os beijos podou abraços só deixou os laços do arado no cercado enferrujado. Escrito por Tereza da Praia às 17h08 [] [envie esta mensagem] Confissões de Penelope (II) Tereza da Praia.
Na quietude de meu isolamento, Teço minhas colchas de tricô, em quadros, retalhos uma rejeição ali, outra acolá um decepção encarnada, uma piedade azul... A uma promessa de amor, desfaço tudo que foi tecido... Depois, começo novamente... Em algum lugar deve haver um Ulisses desvencilhando-se de alguma Calipso, para vir ao meu encontro. Afinal, ainda morro de overdose de esperança.
Escrito por Tereza da Praia às 13h58 [] [envie esta mensagem]
Confissões de Penélope (I) Tereza da Praia Terminei de reler o livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Foi seu último livro. Escrito quando o câncer já havia dominado seu corpo. É uma historia triste, constituída de duas camadas, que se entrelaçam. Uma, o narrador. O primeiro narrador masculino na obra de Clarice. Sentia-se atormentado por escrever uma novela sobre uma jovem nordestina. Questionava-se o tempo inteiro sobre o seu próprio estilo de narrar e a sua capacidade de compreender Macabéa, moça de estrato sócio-cultural inferior. Ao mesmo tempo tentava desvelar o jogo que seu texto fazia entre a ficção e a realidade. Procurava desvendar o significado da literatura e da existência. A segunda camada _ Macabéa _ é o registro da trajetória medíocre de uma alagoana de 19 anos, no Rio de Janeiro, morando num quarto de pensão, dividido com quatro balconistas das Lojas Americanas. Raquítica, feia e solitária, Alienada, sonsa. Adorava ouvir a radio relógio, colecionava pequenos anúncios num álbum e sonhava ser artista de cinema. No transcorrer da historia, Macabea arruma um namorado, também nordestino, Olímpio de Jesus, inculto, grosseiro, que sonha ascender socialmente tornando-se deputado. Olimpio, troca Macabéa por Glória, estenografa, loira oxigenada e amiga da ex-namorada. Glória, amiga (mui amiga por sinal) de Macabéa, aconselha-a a ir a uma cartomante (Madame Carlota). A cartomante, penalizada com a vida que a moça levava, resolveu elevar sua auto-estima profetizando que Macabea encontraria um estrangeiro alourado, de “olhos azuis ou verdes, ou castanhos ou pretos”, muito rico, com quem se casaria. Macabea (nunca tinha tido coragem de ter esperança) sai feliz, quando, ao atravessar a rua, é atropelada por uma Mercedes amarela. Varias pessoas observam-na, agonizante. Alguém coloca uma vela acesa junto ao seu corpo. Assim, Macabea alcança a sua hora de estrela. Uma frase do livro ficou martelando na minha cabeça. Um diálogo entre Macabéa e Glória. Glória lhe pergunta: “Ser feia dói?” ("Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim".) Talvez eu tenha relido este livro, porque, de alguma forma, me identifico com seus personagens. As incertezas do narrador, quanto a sua escrita. A pobreza, o abandono, a invisibilidade de Macabea, me fizeram sua parceira. E eu fiz a pergunta a mim mesma: “Ser feia dói?” Ser feia _ vamos usar um eufemismo, para não chocar – Não ser bonita dói? Como dói não ser bonita! É fator de exclusão, de rejeição. Sente-se na carne os vermes negros do desamor destruir as entranhas. Na adolescência, eu sonhava com o príncipe encantado, montado em seu cavalo branco. Aquele homem ávido por descobrir minha beleza interior. não apareceu nem um sapo desencantado, desdentado. E até hoje minha beleza interior está indescoberta. Dói não ser bonita! E como dói! O momento que mais tenho ciencia da feiura, é quando olho fotografias. Sinto a dor roer-me os ossos. Nestes instantes, faço o que não se deve fazer. Comparo-me a outras!... A emoção é inexprimível em palavras. Ontem, eu olhava as fotos de um encontro entre amigos. Senti-me tão feia... tão feia... que atribuí à minha feiura, o fato de um amigo, (que eu queria que fosse mais que amigo, fosse aquele pelo amor a mim predestinado) tivesse sumido, sem mandar qualquer notícia. O sentimento de rejeição é como um soco no estomago. É como vento frio , o minuano, que entra pelas frestas da pele, esfria a alma. Aí dói porque imagino que se fosse bonita como, digamos, uma Nicole, uma Meg... uma dessas atrizes globais, sei lá, seria diferente. Consolo-me com Hilda Hilst, “que se a mim não deram esplendida beleza, deram-me a garganta esplandecida: a palavra de ouro. A canção imantada. O sumarento gozo de cantar. Iluminada. Ungida.” Mas a verdade, é que me sinto feito Macabéa. Invisível, subterrânea, sem floração... ou melhor capim... pisado... masserado... Meus olhos deixam cair gotas salgadas, que morrem na boca carnuda, sensual, lírica... Estéril e solitária. Hoje, mais que sempre, a saudade mata a gente... Embriago-me com a cachaça negra da desilusão, onde vivem os micróbios do desamor, As bactérias do desamar... Escrito por Tereza da Praia às 23h08 [] [envie esta mensagem] Cerezas en enero? Juan Vicente Piqueras Ni maravillas de Asia entre las manos Ni cerezas en enero Ni arcoiris en nuestra habitación Ni mares ardiendo quiero. Sino tu amor. Cada día. Claro. Sencillo. Cierto. ***** Cerejas em janeiro? Nem maravilhas da Ásia, entres as mãos Nem cerejas em janeiro Nem o arco-íris em nossa casa Nem mares ardendo quero. Senão teu amor . Cada dia. Claro. Simples. Verdadeiro. (Tradução: Tereza da Praia) Juan Vicente Piqueras, poeta espanhol, nascido em 17/12/1960, na Cidade de Valencia (em Los Duques de Requena). Estudou filosofia hispânica, na Universidade de Valencia. Vive em Roma. Trabalha como locutor de radio, ator, roterista de teatro, dublador, tradutor e professor e espanhol para estrangeiros. Obra: Castillos de Aquitania. Moderna: Stelle di Sassuolo,1987; La palabra cuando. San Sebastián de los Reyes (Madrid): Premio José Hierro de poesia (1991). La latitud de los caballos. Madrid: Hiperión, 1999. Premio Antonio machado en Baeza Mele di mare. Florencia: Le Lettere, 2003. Antologia de sua obra, en edição bilingue espano-italiana. Adverbios sin lugar. Accésit al XXV Premio Ciudad de Melilla 2003 (inédito). Escrito por Tereza da Praia às 11h57 [] [envie esta mensagem] Nós... ... E nós que nem sabemos quanto nos queremos... Está música do Celso Adolfo feria-me os ouvidos. Insistentemente, eu a cantarolava, desde ontem pela manha, quando a ouvi no rádio do carro. Perseguia-me o verso “e nos que nem sabemos quanto nos queremos”... Porque me dava vontade de chorar ao cantarolar aquele verso? Eu sei bem. Eu sei como é dificil perceber, depois que tudo acabou, o quanto se quis... Como é dificil o desejo de amar. Eu sei. Era isso que me fazia ficar perturbada com a música. Eu sabia como era doído saber que o outro nunca conheceu a extenção e nem a profundidade do nosso amor. E o tempo passou... E já não faz diferença. Só aquela a dor de ficar na janela, olhando a lua e perguntando: “onde você foi amar”? E saber-me só, e estar só, presa no nó de nós dois... ter certeza que no meu beijo existe o teu lábio, no meu cheiro, o teu odor; Na minha pele a tua escrita. E em tua rima, eu não estou. E assim eu vou seguir... E onde quer que eu vá, estarei te seguindo. Talvez o meu chegar se encontre com o teu. E por fim saibamos o quanto já nos queríamos, antes... Nós dois Celso Adolfo. E nós que nem sabemos quanto nos queremos Que nem sabemos tudo que queremos Como é difícil o desejo de amar Você que nunca soube quanto eu quis Que não me coube, não me viu raiz Nascendo, crescendo nos terrenos seus Eu na janela, olhando a lua Perguntando à lua: onde você foi amar? E nós que nem soubemos nos querer de vez Estamos sós, laçados em dois nós Um que é meu beijo e outro é o lábio seu Não sei sair cantando sem contar você Que eu sei cantar mas conto com você Que eu vou seguir mas vou seguir você Queria que assim sabendo se a gente se quer Queria me rimar no seu colo mulher Vencer a vida de onde ela vier Ganhar seu chegar no chegar meu Dar de mim o homem que é seu. Escrito por Tereza da Praia às 11h11 [] [envie esta mensagem] ![]() Porque é melhor sonhar tua rudeza E sorver reconquista a cada noite Pensando: amanhã sim, virá. E o tempo de amanhã será riqueza: A cada noite, eu Ariana, preparando Aroma e corpo. E o verso a cada noite Se fazendo de tua sábia ausência. *** Que Ariana pode estar sozinha Sem Dionísio, sem riqueza ou fama Porque há dentro dela um sol maior: Amor que se alimenta de uma chama Movediça e lunada, mais luzente e alta Quando tu, Dionísio, não estás. (Hilda Hilst) *** Há sempre alguém esperando alguém. Há sempre um lugar para lembrar. Uma tarde para esquecer... Um amor que não se viveu, Um desejo que se resistiu... Um não quando se querida dizer sim Um sim quando se queria dizer não. Há sempre alguem fugindo de alguém por medo de amar, ou por medo de mudar a vida ou por medo de ser feliz... viver por um triz, dançar na corda bamba Perder o chão... as crenças as seguranças as esperanças... Há sempre alguém esperando desesperando, se esgrenhando... silenciando... ansiando... ando ando.. ando... até quando?! Escrito por Tereza da Praia às 22h09 [] [envie esta mensagem] “Que hei de fazer se de repente a manhã voltar? (Manoel de Barros)
Escrito por Tereza da Praia às 21h58 [] [envie esta mensagem] "....... Escrito por Tereza da Praia às 21h45 [] [envie esta mensagem] "De que servem meu canto e eu Escrito por Tereza da Praia às 19h31 [] [envie esta mensagem] Alguém cantando longe daqui Alguém cantando ao longe, longe Alguém cantando muito Alguém cantando bem Alguém cantando é bom de se ouvir Alguém cantando alguma canção A voz de alguém nessa imensidão A voz de alguém que canta A voz de um certo alguém Que canta como quer pra ninguém A voz, de alguém quando vem do coração De quem mantém toda pureza Da natureza Onde não ha pecado nem perdão (Caetano Veloso) ![]() "Agora que não estás, deixa que rompa o meu peito em soluços Te enrustiste em minha vida, e cada hora que passa É mais por que te amar" (V. de Moraes) *** *** Já sei que já não sou, passei, passou. A lua nos espera nessa rua é só tentar. E um coro de astronautas, de anjos e crianças bailando ao meu redor, te chama: vem voar. Já sei que já não sou, passei, passou. Eu venho das calçadas que o tempo não guardou. E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta? ...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei. (Astor Piazzola - versão Rogério Cardoso) ***** Era por fim a vida real, com o meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos." (Gabriel Garcia Marques, in Memória de Minhas Putas Tristes) **** De repente, o amor se transformou Undisclosed-Recipient. Tudo que eu queria era uma comunicação pessoal, interpessoal... intimizada Acústica feito voz e violão. Globalizou... desintimizou.. Passsou... coração Saudade ficou. (Tereza da Praia) Escrito por Tereza da Praia às 09h18 [] [envie esta mensagem] Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. (...) relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? (carta a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke) Escrito por Tereza da Praia às 02h01 [] [envie esta mensagem] Hoje, 20/10, é dia do poeta e aniversário de Arthur Rimbaud, Poeta francês . Considerado pós-romântico e precursor do surrealismo, é uma das maiores influências da poesia moderna. Jean Nicolas Arthur Rimbaud nasceu em Charleville, em 20/10/1854 e morreu em Marselha, em 10/11/18991. Teve um vida muito agitada. Comercializou peles e café na Etiópia, alistou-se no Exército colonial holandês, para desertar logo depois, traficou armas em Ogaden, foi para o Chipre e para Alexandria. Em 1891 tem a perna amputada, em decorrência de um câncer no joelho. Morreu em Marselha, depois de demorada agonia. Aos 18 anos vive uma turbulenta história de amor com o poeta Verlaine, que deixa a família para viver com Rimbaud em Londres. A tempestuosa relação amorosa entre os dois terminou quando Verlaine atirou em Rimbaud, ferindo-o no pulso.
A ETERNIDADE Tradução: Augusto de Campos De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se vai Como o sol que cai. Alma sentinela, Ensina-me o jogo Da noite que gela E do dia em fogo. Das lides humanas, Das palmas e vaias, Já te desenganas E no ar te espraias. De outra nenhuma, Brasas de cetim, O Dever se esfuma Sem dizer: enfim. Lá não há esperança E não há futuro. Ciência e paciência, Suplício seguro. De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se vai Com o sol que cai. L'ETERNITÉ Elle est retrouvée. Quoi? – L'Eternité. C'est la mer allée Avec le soleil. Âme sentinelle, Murmurons l'aveu De la nuit si nulle Et du jour en feu. Des humains suffrages, Des communs élans Là tu te dégages Et voles selon. Puisque de vous seules, Braises de satin, Le Devoir s'exhale Sans qu'on dise: enfin. Là pas d'espérance, Nul orietur. Science avec patience, Le supplice est sûr. Elle est retrouvée. Quoi? – L'Eternité. C'est la mer allée Avec le soleil. ("Primeira Tarde" In O Torso e o Gato Editora Record, Rio de Janeiro, 1991. "A Eternidade" In Rimbaud Livre Editora Perspectiva, 2a. ed, São Paulo, 1993) Escrito por Tereza da Praia às 01h29 [] [envie esta mensagem] |
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